Carta de Agradecimento

À Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, Comissão Organizadora de Artes Plásticas e Arte em Craft da Grande Exposição de Arte Bunkyo, realização da Comissão de Artes Plásticas e Arte em Craft do Bunkyo, representada pelo seu Presidente Yutaka Toyota

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e a toda Comissão de Artes Plásticas e Arte em Craft, na pessoa de seu presidente Yutaka Toyota, pela premiação a mim concedida na Grande Exposição de Arte Bunkyo, neste ano em que se inicia a comemoração do centenário da imigração japonesa, daqueles que vieram com coragem, trabalho e lealdade conquistar novos horizontes em terras brasileiras, acolhedora de tantas nacionalidades. Isto confere uma grandeza ímpar a esta premiação. Agradeço também aos patrocinadores e àqueles que apoiaram esta Grande Exposição porque sem incentivo à cultura não é possível se formar uma grande Nação.
Quem faz arte é um agente da fé, pois materializa o que não vê, porque acredita que lá está. Este evento aliado ao paciente olhar da comissão, reafirma de alguma forma, esta fé inerente ao artista, configurando-lhe algum sentido.
É por isso que, em nome de todos nós, selecionados e também aqueles que não o foram, tomo a liberdade de agradecer a generosidade deste acontecimento especial. Ouso dizer que para aqueles que ouviram o não, o sentido é muito mais poderoso, já que, a negativa cala mais fundo em nosso ser.
Costumo dizer que eu faço cerâmica como vivo a vida, em meu trabalho coloco tudo o que encontro pelo caminho, inclusive minha alma, e aguardo a ação do tempo e do fogo. Portanto, essa premiação, justifica todas àquelas horas solitárias em meu ateliê e até mesmo a solidão inerente da vida, porque os objetos criados em um ato de fé, foram capazes de tocar observadores tão seletos.
Dizem meus mestres Naoko e Megume Iwasa, que quem faz arte está perguntando sobre suas origens, buscando um sentido da vida. Gostaria de falar de minhas origens na cerâmica. Lá, nos tempos do SESC Pompéia, em curso de tornearia, no ateliê de Célia Cymbalista (minha mãe da cerâmica), como aluna, e depois como sua assistente, a cerâmica japonesa já exercia em mim um fascínio enorme. As técnicas, a disciplina, as queimas, a tradição milenar…A prova disso está em minha bibliografia de referência…Somente livros de cerâmica japonesa!
Com o passar do tempo e o fazer cerâmico, fui percebendo que o processo de execução era mais importante (e divertido). O objetivo final passou a se configurar como pano de fundo. Vejam agora, Naoko e Megume, com esta premiação estou indo para o Japão, beber da fonte de minha inspiração na cerâmica. Assim, meus caros Mestres “O tempo não existe mesmo! O que é que vem primeiro a inspiração ou este prêmio? Não é interessante? Onde está o começo de tudo? Qual a origem de tudo? E qual será o sentido desta vida?”.
Muito obrigado.

Atêlie Matéria da Terra - Esculturas e Cerâmicas - cel.: +55 11 9915 9910
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