Artigo Artes e Artistas

Nadia Saad entre os bons ventos do Japão

Certamente, 2008 marcou a vida de Nadia Saad. E de muitas formas. Tudo começou no final de 2007, quando a ceramista conquistou a Medalha de Ouro na Grande Exposição de Arte Bunkyo 2007, que lhe garantiu como prêmio uma viagem para o Japão. Depois de organizar documentos e roteiro, Nadia seguiu para uma viagem que definitivamente mudou sua maneira de se relacionar com o mundo, com a cerâmica e consigo mesma. Assim que voltou ao Brasil, ela retomou seu trabalho, organizando a exposição individual “Ponto de Mutação”, no Espaço Cultural Banco Central, em São Paulo/SP. O evento estará disponível para o público até 20 de outubro.
Incansável no trato da Arte Cerâmica, Nadia Saad tem seu atelier montado na região da Vila Mariana. Entre fornos, materiais, instrumentos e argilas, a inspiração acontece naturalmente, conduzindo a artista a um resultado inesperado: as esferas, que a cada nova fase assumem proporções ainda maiores. Por todo espaço, encontramos centenas de peças em cerâmica. Cada uma tem uma história, que a ceramista mantém viva em sua memória.
Conquistar a Medalha de Ouro não foi algo proposital. Nadia decidiu participar para apresentar seu trabalho ao público e, principalmente, modelar cerâmica, uma de suas maiores alegrias. O prêmio, que culminou com a viagem ao Japão, realizou um de seus maiores sonhos. Marcou um momento de reflexão de sua carreira, em que a artista se revela, amadurece em seu talento com a modelagem do barro e no domínio da técnica e da queima. “O processo de produção de uma esfera é semelhante a outros objetos de cerâmica, mas o tempo de execução é bem maior, em comparação a outras peças. E em razão de seu volume e peso, tudo se torna mais crítico e frágil”, acrescenta.

Na direção certa
Ousada como ceramista, Nadia também é irreverente como mulher. Do prêmio oferecido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo, ela explorou o máximo. Foram 21 dias de uma viagem riquíssima em conhecimentos, informações e identificações. Logo no primeiro contato com os ateliers, ela se viu diante da Cerâmica Bizen, e percebeu uma nítida conexão com o seu trabalho.
Visitou inúmeros centros cerâmicos, que seguem um conceito parecido com nossos pólos de Maragogipinho (à moda brasileira) ou Cunha (à moda japonesa). Com os japoneses, Nadia percebeu ainda mais o valor dos recursos naturais existentes no Brasil. “Os japoneses não perdem uma gota de água. Apesar de serem mais sofisticados, são também mais rigorosos e conscientes, porque os recursos naturais são escassos naquele país”, explica a ceramista.
Nadia conheceu ceramistas japoneses que enfrentam filas de espera para aquisição de lenha para queimas, buscam a argila nas minas, cavando a terra e amassando o barro para preparar a massa. Nos ateliês, predomina o uso de fornos Anagama e Noborigama, que devem ser econômicos e produtivos.
Nadia conviveu vários dias ao lado de ceramistas e, sem intenção de conhecer técnicas, ela apenas procurou “viver o Japão”. Sem esperar nada, ganhou muito. Teve a chance de trabalhar durante dois dias em um atelier, assistida por ceramistas portugueses. Auxiliou na montagem de uma exposição e conviveu com as técnicas regionais, trabalhando com a argila. Como ela mesma define: “Em minha viagem, fui viver o Japão”.
Encontrou um povo hospitaleiro, curioso e de boa fé, que a fez “se sentir em casa”. No Japão, ela se surpreendeu com a confiança das pessoas, e se deixou levar pelos bons ventos orientais. Graças à confiança que obteve dos japoneses, ela vivenciou grandes encontros entre ceramistas que não conhecia. “Apesar de o idioma parecer uma barreira, todos conseguimos nos comunicar. Sempre é possível haver trocas se estamos disponíveis para isso. As diferenças de idioma não contam”, reconhece.
Mesmo não sabendo exatamente “para que lado iria o trem”, Nadia confiava nas indicações que recebia dos japoneses: “É muito mais fácil conceber uma obra num país onde as pessoas possuem qualidade de vida, onde os povos atingiram maturidade e tranqüilidade para trabalharem com calma”, analisa Nadia.
Nadia Saad voltou para o Brasil com muitas certezas. Entre elas, saber que deixou as portas abertas no Japão, um país ao qual ela pretende voltar. A ceramista agradece à generosidade da Sociedade Bunkyo, às dicas que recebeu dos jurados para organizar seu roteiro de viagem ao Japão e à conquista do Grande Prêmio de Ouro da Grande Exposição de Arte Bunkyo 2007, participando com as obras “Filigranas em Porcelanas de Várias Cores”  “Esferologia Metamórfica em Raku” e “Esferologia Metamórfica em Porcelana”. Seu trabalho foi capa da edição número 25 da Revista Mão na Massa.

Exposição Ponto de Mutação – Local: Espaço Cultural Banco Central, São Paulo/SP – Avenida Paulista, 1804 – Térreo. De 3 a 20 de outubro, sempre de segunda a sexta-feira, das 10 às 16 horas.

Informações também no site www.bcb.gov.br.

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