Não há de que…
É um prazer e meu natural no mundo, versar sobre ver!
Além de tudo, não é sempre que posso estar com as pessoas que gosto. Espero o filme e principalmente a oportunidade de ver o futuro de seu trabalho que de fato me tocou nas direções do que lhe disse. E me desculpe por não ter podido ir jantar com vocês: perco sempre com isso.
Depois que conversamos pensei uma coisa sobre a tua pergunta do “porque desenho”: porque desenhar é pensar. E tudo aquilo que pensa sente e o que sente pensa. Mas este pensar através do desenho não é um pensar por que não se pensa é antes de tudo um caminho da afinação interior. A matéria deste mundo exige que a forma seja colocada no espaço de acordo com as dimensões do tempo e acredito piamente que o desenho seja a ferramenta mais poderosa de escavação da psique humana diante do se apresenta para si no gota minúscula de tempo da sua existência. Acho bonita o cromatismo dos óxidos de ferro nas tua cerâmica porque estamos na era do aço. E a arte é impiedosa! O inox, por incrível que pareça, é um material do presente. Então ver a amalgama de duas dimensões do tempo é sempre instigante. Mas o inox não tem nada a ver com o calor dos fornos de raku. Enfim, a cerâmica tem um desaparecimento da produção contemporânea e tenho me perguntado porque. Seria muito raso dizer que é uma matéria superada mas em todo caso seria sedutor não lhe provocar sobre a relação do que você faz e a escultura de hoje. Aliás, ouvi falar hoje de um mantra proibido da Ana Maria Tavares. Esta é outra artista que você poderia ver.
Abraços para você também Nadia e até já.
Saulo.